20/01/2026 às 09:33h
Cerca de 180 garis de Belo Horizonte, contratados pela Sistemma Serviços Urbanos, seguem em paralisação nesta terça-feira (20/1). Os trabalhadores cruzaram os braços nesta segunda-feira (19/1) em protesto por melhores condições de trabalho. A interrupção afeta a coleta de resíduos em bairros das regiões Leste, Noroeste e Nordeste da capital, que já registra acúmulo de aproximadamente 1,6 mil toneladas de lixo. Ruas da cidade amanheceram tomadas pelos resíduos.
Os garis relatam atrasos no depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e falta de convênio médico, além do sucateamento dos caminhões e do quadro reduzido de profissionais, o que estaria provocando longas jornadas de trabalho. Em entrevista a O TEMPO, Tales Marcelo Alves, influenciador conhecido como Gari Gato de BH, afirmou que a empresa propôs realizar novas contratações em 10 dias. Entretanto, os trabalhadores definiram pela manutenção do movimento até um acordo concreto.
“A empresa fez uma proposta de contratar 10 garis a mais para tentar completar o contingente, colocando sete garis durante o dia e três à noite, mas pediu um prazo de 10 dias para começar a entregar os caminhões em perfeito funcionamento. Os garis não aceitaram e falaram que daqui a 10 dias, então, voltam a coletar o lixo. Isso é inadmissível. Não tem contingente para os garis trabalharem”, explica.
Segundo Tales, com a paralisação dos garis, cerca de 1,6 mil toneladas de lixo deixaram de ser recolhidas. “Esse lixo já está no chão e hoje vai continuar porque não teve acordo. A empresa não tem condições nenhuma de colocar os garis para trabalhar com a estrutura que tem hoje, em nível de caminhão e contingente. Fora os benefícios não pagos, que é Fundo de Garantia, não tem plano de saúde e as férias foram cortadas para não parar o serviço e explorar o trabalhador”, afirmou.
A categoria cobra uma atuação da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) da capital para a resolução do problema, principalmente em relação aos atrasos no FGTS. A proposta é que a coleta permaneça paralisada até que haja mediação nesse sentido. Segundo os trabalhadores, são mais de 12 anos sem convênio médico.
Questionada, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) informou que está acompanhando a situação e que está “adimplente com todas as suas obrigações contratuais junto à empresa”. A Sistemma afirma que foi surpreendida pela paralisação e que apura supostas irregularidades no movimento.
A reportagem questionou a Prefeitura de Belo Horizonte sobre a quantidade de bairros afetados e aguarda retorno.
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