19/01/2026 às 07:42h
Símbolo de transformações políticas do país – das Diretas Já, passando pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor e as jornadas de 2013 –, a juventude brasileira está cada vez mais distante da política partidária tradicional e mais mergulhada no ativismo digital. Mesmo as mobilizações e manifestações que hoje ganham as ruas, como as que culminaram com o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2014, ou que fizeram o Congresso desistir da ‘PEC da Blindagem’, no ano passado, são gestadas primeiramente no ambiente digital.
Segundo os dados mais recentes disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em uma década, de 2014 a 2024, o número de jovens de 16 a 24 anos filiados a partidos políticos no país caiu 56%, passando de 415.471 para 180.717, o que representa cerca de 1% do total de eleitores nessa mesma faixa etária.
A queda persistente no volume de jovens filiados a siglas partidárias, no entanto, não significa um desinteresse dessa parcela da população por política. No mesmo período, o número de cidadãos de 16 anos que tiraram o título de eleitor e votaram pela primeira vez passou de 480.044, em 2014, para 724.324, em 2024.
Os dados mostram apenas que a arena do debate mudou. A militância política que, nas gerações anteriores, acontecia primordialmente nos movimentos estudantis, passeatas, sindicatos, associações comunitárias e partidos políticos migrou para as telas do celular e redes sociais.
“Não é verdade que o jovem não se interessa por política. O que mudou foi a arena e a forma como esse conteúdo chega, por meio de influenciadores e misturado a outros temas da vida cotidiana”, diz Camilo Aggio, professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD). “Há uma descrença nas instituições tradicionais e isso faz com que a política ganhe uma prevalência na digitalização da esfera pública. Isso muda o modo como interagimos e lidamos com o contraditório, provocando como efeito um aumento da tribalização”, completa.
O cenário de crise de confiança nas instituições levou a uma mobilização dos partidos para incentivar filiações. O PT, que, segundo dados até 2024, era o segundo partido do Brasil em número de filiados em todas as faixas etárias (atrás do MDB), divulgou os números da campanha nacional de filiação, iniciada em dezembro de 2024: foram 341 mil novos integrantes.
Já o PL, partido de Jair Bolsonaro, divulgou o crescimento de adesões após a prisão do ex-presidente. De acordo com a sigla, havia uma média diária de cem filiações no partido. No sábado seguinte à detenção de Bolsonaro, o número passou para 20 mil, e, a partir da segunda-feira seguinte, a média de filiações diárias passou para 10 mil.
Apesar de satisfatória em números absolutos, as campanhas de filiação costumam ser mais efetivas na população adulta, dos 25 aos 59 anos. Levando em conta apenas os dados de 2024, essa parcela da população possui pouco mais de 10 milhões de filiados a partidos políticos, o que representa 61% do total de 16,3 milhões de filiados a partidos políticos no Brasil.
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