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02/08/2021 às 11:13h

Turismo mineiro tenta voltar aos trilhos

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A sensação é de estar numa montanha-russa. Assim, Matheus Costa, dono da agência Desbrava Minas, descreve os altos e baixos da crise enfrentada pelo turismo, desde o início da pandemia, e o momento de recuperação percebido hoje. Em 2020, segundo a Secretaria de Cultura e Turismo (Secult-MG), a receita turística caiu 40%, e o fluxo de turistas, 42%, 13 milhões de visitantes a menos. 

A oscilação desses indicadores dá a dimensão do impacto em um setor em constante alta. Em 2019, a receita tinha crescido 12%. “No primeiro trimestre deste ano, o fluxo de turistas ainda caiu, mas menos: 32%. É um sinal de aquecimento”, afirma a subsecretária estadual de Turismo, Milena Pedrosa. Até o fim de 2019, pesquisa da Organização Mundial de Turismo (OMT) apontava um crescimento global ininterrupto da atividade turística nos últimos oito anos. 

Ainda de acordo com a OMT, os reflexos da Covid colocaram o turismo no pior revés da sua história. “No ano passado, o fluxo de visitantes no Circuito do Ouro caiu 100%, e a cadeia foi muito prejudicada. Demiti três pessoas e me senti abandonado”, reclama Costa. 

O ministro do Turismo, Gilson Machado, destaca os segmentos mais atingidos. “Ligadas ao setor estão as atividades artísticas e de espetáculos, transporte, serviços de alojamento e de alimentação. E precisamos citar ainda o agenciamento de viagens e os eventos”, acrescenta. 

Desde sua inauguração, o Vila Relicário, em Ouro Preto, consolidava-se como um hotel de eventos, especialmente casamentos, de 200 a 600 pessoas. Para garantir a sobrevivência, a empresa não mudou o DNA, mas adaptou o foco para a hospedagem de turistas e festas menores, como os mini-weddings, para o casal e poucos familiares, e os “elopements”, só com os noivos. O termo vem da romântica ideia de “elope”: fugir para casar. 

No ramo da hotelaria há mais de 20 anos, o turismólogo Marcelo Oliveira perdeu clientes em sua firma de consultoria na área. Por isso, decidiu candidatar-se à uma vaga no Vila Relicário, onde hoje é gerente. Para ele, as palavras-chave na reorganização do trade são “reinvenção”, “adaptação” e “parceria” entre mercado e fornecedores. “Gerenciar estoque nesse abre e fecha é complicado. O planejamento tem de ser semanal. A montanha-russa não acabou e é preciso cautela”, diz. 

Para Costa, do receptivo turístico, a retomada bate à porta. A agenda de passeios está cheia, e ele já tem contratado guias turísticos como freelancers. O momento é de divulgação. “É hora de dizer para o turista: ‘pode vir, está tudo ok, estamos vacinados e dentro dos protocolos sanitários’”, diz. 

SECRETÁRIO DE OURO PRETO COBRA MAIS PREPARO DA CADEIA

Em Ouro Preto, um dado chama a atenção em meio à pandemia. Segundo o secretário municipal de Turismo, Rodrigo Câmara, o Circuito Especial de Cozinhas, evento feito no Carnaval de 2020, deu resultado 40% melhor em relação ao apurado nos dias de folia antes da Covid: “Veio um público com condição de deixar um legado financeiro”. Para Câmara, a pandemia separou profissionais de quem beirava o amadorismo. “Todos falam da turística Ouro Preto, mas não é de hoje que precisava se profissionalizar”, diz. 

No momento, o secretário teme um boom do turismo. “A moeda está fraca, favorecendo o turismo de proximidade. Com 5.000 turistas, temos leitos adequados, as pessoas comem bem. Com 30 mil, a experiência pode ir por água abaixo. É hora de fazer o dever de casa e se preparar”, alerta. 

FESTA ÍNTIMA 

Ana Clara Sales, dona de uma firma de ornamentação de eventos, disse o tão esperado “sim” em plena pandemia. Planejava convidar 300 pessoas, mas chamou 40, seguindo o protocolo: “É uma megatendência, vejo isso na nossa empresa. Pela intimidade, segurança e economia”. Ela tem sido chamada para decorar micro e elopement weddings no mesmo hotel em que se casou.

COMUNIDADE 

Matheus Costa, da agência Desbrava Minas, aposta no turismo de base comunitária. Ao centro, ele leva um grupo de turistas para tomar café na casa de uma quitandeira em Santo Antônio do Salto. Entre empresários do mesmo segmento, Costa diz desconhecer quem tenha conseguido ter acesso ao Pronampe, programa de empréstimos do governo federal com juros mais baixos e prazo maior. 

Fonte: O Tempo

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