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25/10/2021 às 14:42h

O Fim está próximo

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Vou começar o fim do mundo pelo século XVII por uma escolha totalmente aleatória.

No século XVII o direito de petição aos poderes públicos foi escrita na Inglaterra e aterrorizou muitos dizendo que o Estado acabaria, declarou-se o desmando do rei. Nascia uma nova forma muito especial dos Direitos Humanos.

No século XIV foi tomado pela “peste negra”, e mais uma vez a humanidade sobreviveu.

O renascimento dá novos contornos à arte no século XV. Foi dito que as obras (pintura, arquitetura e especialmente as estátuas) desafiavam a moralidade humana, estávamos próximos a uma nova extinção tal qual Sodoma e Gomorra. Hoje sabemos que foi o início de uma grande – e boa – revolução em prol da expressão artística.

O mundo acabou! Estamos todos perdidos! Foi o que mais se disse no século XVI: Martinho Lutero faz o “cisma” com a igreja católica; Maquiavel escreve “O Príncipe”; Roma é saqueada pelo Carlos V; Henrique VIII rompe com Roma e se declara chefe da igreja. Não acabou, e aqui estamos!

Com o nascimento do movimento cultural Barroco no século XVII foi dito que os novos artistas estavam sem inspiração e aquilo era horrível e sem gosto artístico! O homem está ficando idiota. Hoje temos orgulho desta tão requintada arte que também colaborou com a revolução científica.

Seremos todos mulçumanos! Nunca o Império Otomano esteve tão solidamente economicamente. Continuamos com as Bíblias em nossos lares! No Brasil, por pouco revolucionários nos retiram do correto e maravilhoso regime imperial (diziam os conservadores!) com a Inconfidência Mineira. Nada adiantou, e pouco depois tornamos independentes. Na Inglaterra o prenúncio que todos ficariam desempregados e morreriam de fome com a Revolução industrial: mais uma vez sobrevivemos!

No século XIX estava declarada a certeza do fim do mundo: “do ano 1.000 passamos, ao ano 2.000 não chegamos”. De fato a sociedade e os seres humanos estavam inevitavelmente comprometidos em definitivo: grandes impérios caíram: espanhol, francês, romano-germânico e mongol; ciências demoníacas surgiram com mais força: matemática, física, biologia; o profeta do demônio derruba Deus, e em 1859 Charles Darwin publica o livro “A Origem das Espécies”; Friedrich Nietzsche enterra Deus com a frase “Deus está morto” no livro “A Gaia Ciência”; as guerras iriam dizimar todos os jovens: as napoleônicas até 1815, guerra civil americana, guerras da independência italiana, húngara, grega, da américa espanhola, unificação da Alemanha, extinção do Xogunato Tokugawa, guerra do Paraguai, guerra da Crimeia; surge o movimento liberalista que, de certo acabaria com a mentalidade dos jovens que sobrevivessem.

A sociedade sobreviveu e chegamos ao último século da existência humana: o século XX. A profecia seria cumprida e a humanidade não veria o raiar do ano 2.000, que anunciaria um século XXI pós-apocalíptico. Todos retiram “As Profecias” de Nostradamus das estantes.

E de fato não há como sobreviver: já que é para morrer, vamos criar um slogan: “peste fome e guerra”: Revolução Russa: o comunismo e seus membros que se alimentam de carne de criancinhas; os que não morressem com a primeira grande guerra, de certo seriam exterminados com a gripe espanhola; se não a peste, a fome: vamos todos morrer com a queda financeira de 1929; se ainda não foi suficiente o mundo será nazista com a segunda grande guerra; não adianta ela ter acabado e ter a declaração de direitos humanos, impõe-se ditaduras ao redor de todo o mundo; as bombas atômicas dos Estados Unidos e Rússia vão dizimar todos, e os que não morrerem vão pegar carona com Neil Armstrong para a lua; o sexo e a pornografia estão livres com a revolução sexual iniciada na década de 60; mas a peste vai purificar estes novos hereges, a AIDS vai acabar com eles; se não ela, as drogas como ópio, maconha, cocaína vão dar conta; relembrou-se o anúncio do fim, e agora vindo da cidade de Fátima em Portugal, até mesmo dão um tiro no maior líder religioso deste século XX que guardava o “último segredo”; certamente este tal de computador vai substituir os homens por máquinas; Deus ressurge na boca de um sem fim de profetas, nunca Deus teve tantos representantes falando por ele aqui, mas este salvador exige coisas que vai nos lev*ar a todos para o inferno; De fato é o fim: não veremos o ano 2.000.

Quanto pessimismo! No mais das vezes vindo de pessoas apegadas ao um comodismo falsamente alentador. Estar no “lugar comum” é muito fácil e confortável. Adaptar-se às novidades, receber novos pensamentos é um exercício de desprendimento e movimentação intelectual que incomoda.

A frase: “no meu tempo tudo era melhor!” é própria daqueles que não querem sair do lugar. Medo de caminhar com o mundo e suas transformações. Alguns eventos são um pouco mais extravagantes ou por demais inovadores e podem causar susto. Não possuindo máquina do tempo, o que nos resta é caminhar com a humanidade.

Se ao contrário do pessimismo, víssemos estes acontecimentos como desafios a superar, teríamos passado por tudo com melhores resultados. O exemplo daqueles 16 séculos que deixei de citar neste texto, com a humanidade sobrevivendo – mesmo que aos trancos e barrancos – deveria nos ensinar que, antes de criticar o que a história nos apresenta, pudéssemos aproveitar a oportunidade de sermos mais fortes e adaptáveis. Seríamos mais felizes, certamente. Ver o novo com bons olhos, superar os maus momentos, coletar bons exemplos e sempre receber o novo.

Não, o fim não está próximo! O que sempre está chegando são novas oportunidades de mostrarmos fortes e vencedores!

Por Ronaldo Galvão


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