13/07/2026 às 09:11h
Em 2026, 54 das 81 cadeiras do Senado Federal estarão em disputa. Com mandatos de oito anos, os senadores representam os estados e têm funções que vão além da criação de leis: fiscalizam o Poder Executivo, aprovam autoridades indicadas para cargos estratégicos e julgam crimes de responsabilidade. Entretanto, para a maior parte dos pré-candidatos que disputam as duas vagas por Minas Gerais, a Casa hoje está distante desse papel.
Ao longo de uma série especial de entrevistas ao Café com Política, de O TEMPO, seis pré-candidatos ao Senado por Minas foram questionados sobre como avaliam a atuação da Casa. Apesar das diferenças ideológicas, a maioria teceu críticas ao funcionamento do Legislativo e afirmou que a instituição perdeu protagonismo e se afastou da população.
Dos seis nomes ouvidos pela reportagem, quatro nunca ocuparam uma cadeira no Senado. Entre eles, há um diagnóstico comum: o de que a Casa está desconectada das demandas da sociedade. Para a ex-deputada federal e pré-candidata pelo PSOL Áurea Carolina, o Senado “vai de mal a pior” e se tornou uma instituição distante da população. “É só ver o comportamento do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), que não pauta, por exemplo, o fim da escala 6x1, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados e está lá, engavetado, esperando ele ter o ar da graça e colocar isso para discussão”, afirmou. Na avaliação de Áurea, o Senado deveria liderar debates estratégicos para Minas, mas tem priorizado interesses econômicos.
A percepção é semelhante à do ex-secretário de Governo do Estado e pré-candidato pelo PP, Marcelo Aro. Para ele, o Senado vive desconectado da realidade do país. “Acho que eles vivem numa bolha, e não estão preocupados em, de fato, resolver o problema da vida das pessoas. São discussões vazias, que não dão solução para os problemas e vejo uma população completamente descrente no Senado”, afirmou. Segundo Aro, o descrédito da população aumentou, mesmo após a renovação dos eleitos na última eleição. “Falta cumprir a palavra que eles deram quando se elegeram”.
Quem também estreia na disputa ao Senado é a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), que critica a distância entre a instituição e a sociedade. “Volta e meia a gente vê a ação de um senador, de uma senadora, mas é algo que a população não sabe muito qual é o papel. Tem um distanciamento, e é importante que esse distanciamento seja superado”. Na avaliação da petista, a aproximação passa pelo fortalecimento das próprias instituições. “Se cada um preocupar com o seu quadrado, com o seu órgão, nós temos a possibilidade de fazer uma autorreforma”.
A percepção de que o Senado precisa de mudanças foi um dos motivos que levaram o deputado federal Domingos Sávio (PL) a disputar uma vaga. “O Senado precisa de mudanças, ele não está cumprindo integralmente a sua função”. Sávio afirmou que um dos principais papéis da Casa, o de garantir a independência entre os Poderes, não vem sendo exercido. “O Senado tem se omitido, ou pior, alguns têm sido coniventes com situações absurdas que estão acontecendo no Brasil”, disse. Para ele, esse movimento fez a população olhar mais para a disputa ao Senado neste ano.
Entre os pré-candidatos que já passaram pela Casa Alta também há críticas. O atual senador e pré-candidato à reeleição Carlos Viana (PSD) não tem dúvidas ao dizer que a Casa deixou de exercer a função para a qual foi criada. “O Senado está enfraquecido e, principalmente, deve muitas explicações à população. Vejam bem os grandes escândalos, as grandes operações que a Polícia Federal tem feito nos últimos anos. Têm aparecido nomes de senadores importantes, inclusive do presidente do Senado”, disse. Para Viana, a Casa deveria exercer papel mais firme de fiscalização e perdeu espaço para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Senador por Minas entre 2011 e 2019, o deputado federal Aécio Neves (PSDB) voltou a colocar o nome como possibilidade de disputar uma vaga. Sem fazer críticas diretas à Casa, reforçou o papel institucional do Legislativo como espaço de construção de consensos. “É a casa do diálogo. É através do Senado que temos que dialogar com o Poder Executivo, com o Poder Judiciário, buscando reformas que esses Poderes também precisam viver”.
Com informações O Tempo