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11/07/2022 às 21:02h

Crime motivado

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Aqueles criados do barro e da costela, no início dos tempos tiveram um filho morto pelo outro ao argumento da inveja. Depois disto um morticínio muito maior ocorreu, quando somente uma pequena família numa barca carregada de animais foram os únicos sobreviventes da Terra. Sempre pela religiosidade e preceitos divinos as mortes foram comuns. Um garoto de pouca estatura enfrentou um gigante com uma pedrada, até que seu descendente mais conhecido foi crucificado. E não ficou de graça a morte do fundador do maior seguimento divino da Terra: soldados medievais cavalgaram para a cidade que um dia o recebeu estendendo ramos pelo chão enquanto ele entrava sentado num burrinho. Orientais, posteriormente, derrubaram seus muros com grandes banhos se sangue.

Onde os 12 deuses olímpicos comandavam aquelas lindas ilhas, as mortes se davam constantemente: um exército invadiu uma cidade escondido dentro de um cavalo de madeira. O motivo neste caso foi uma bela mulher disputada por guerreiros que não admitiam ter suas amantes sequestradas.

Trocando para o continente da bota, uma cidade tornou-se o centro de um dos maiores impérios do mundo. Não que fosse um império muito ruim, já que alguns de seus líderes preservavam as culturas que dominava. Mas a vontade de vencer este império levou até lá grandes exércitos cuja inimizade nem era tão grande. A motivação era a vontade de batalhar e vencer seus generais e legiões de soldados extremamente organizados. Uma das últimas batalhas se deu numa cidade que fixou o que seria o oriente e o ocidente e dividiu-se o planeta.

Adiantando um pouco no tempo, no que ficou conhecido como Velho Mundo, os líderes eram tantos a suceder no poder que seus nomes eram seguidos por números: o IV foi morto para que V viesse. Até um que levou o número XIV dizer que ele era o próprio Estado. A pouca criatividade nos nomes levou a fatos interessantes onde VI foi sucedido por um V, para que em poucos dias um II viesse ao poder! Poucos nomes, muitos números que provocavam estas sucessões. Estas mortes se davam para o prazer de estar naqueles palácios maravilhosos com tantas regalias e terras sob seu poder. Hoje uma mulher, a II de seu nome, a mais longeva no trono, é muito carismática.

Já no século passado as mortes foram movidas por um impulso diferente: a ideologia. Certo que o jeito de pensar diferente de um e outros, ao menos não foi explicitamente a motivação das mortes até que o dinheiro e sua forma de distribuir, criou as duas vertentes principais do início do século. De um lado, os que queriam a divisão do capital financeiro de forma igualitária para todos os cidadãos; de outra banda cada um poderia acumular tanto dinheiro quanto pudesse, mesmo que isto significasse a miséria de outros. Estes blocos se encontraram algumas vezes em sangrentos momentos.

Passadas as guerras campais com tanques, soldados e duas bombas gigantescas, a batalha passou as ser chamada de “fria”. Mas deixou os bastidores dos dois blocos bem quentes.

Aqui no Brasil, íamos e víamos ao balanço do que ocorria no mundo, mas em proporções bem menores já que nunca fomos grandes protagonistas na formação de ideologias que fossem interessantes aos olhos que quem nos via do lado de cima da linha do Equador.

Aqui, viram um garoto com uma boina enfeitada com uma estrela, charutão na boca, que depois de revolucionar uma ilha, acabou morrendo aos 39 anos, metralhado longe de casa e de suas conquistas. Alguns brasileiros tomaram-no por herói e sua foto estampa camisetas vermelhas até hoje. Mas o pessoal que preferiu usar o verde-oliva nos seus uniformes cheios de barretas, não gostaram da ideia, e perseguiram e mataram os vermelhos. Venceram os verde-oliva e até o finalzinho do século XX mandaram com mãos e carabinas firmes. No caso, morte e vitória sobre aqueles que segundo espalharam, até comiam criancinhas!

Após os verde-oliva saírem, a morte agora era por nossa conta. Por causa da criminalidade que entremeou na sociedade. Mata-se por ciúmes, fome, drogas, patrimônio, e outras formas próprias da natureza malévola humana.

Daí vieram os chamados partidos políticos com cidadãos que se sucediam, cada qual com diferentes marcas: o primeiro nem pensava estar no poder, pois era o vice do mineiro que morreu antes de colocar a faixa presidencial. Mesmo que Marajá seja um título de líderes da Índia, o outro governante tentou persegui-los aqui o Brasil as acabou sendo deposto por cara-pintadas. Entra seu vice que mesmo sendo muito franco não emplacou um segundo mandato. O sociólogo veio a dar um jeito em tudo e, de forma Real, deu um novo impulso na economia e cultura brasileira. Sobreveio um cujo xará marinho tem 8 dedos, mas ele 9, e isto não impediu que ele ficasse 8 anos no poder estabelecendo um governo baseado justamente naquele lado que lhe falta o 10º dedo. A primeira mulher que o sucedeu, foi defenestrada. Temendo uma nova eleição, mantiveram seu vice. Daí, com dez dedos, mas com o indicador e polegar fazendo gesto de arma, veio outro. Saíram os dedos em “V” para o “L” tombado.

E as mortes que iniciaram este texto? Qual o motivo da morte agora? Demonstrei que antes os motivos eram uns. E agora, entre nós, os motivos são mais estranhos que nunca: uma ideologia que ninguém sabe conceituar.

Não demorou que o pavor mostrasse sua cara: o prometido messias foi esfaqueado. O terror ficou ainda pior quando o mito abandonou a ciência, ofereceu remédio para uma ema, alegou não ser coveiro e deixou a maioria dos brasileiros de boca aberta quando imitou pessoas sem ar por causa daquele vírus. Mas cerca de 600.000 pessoas ficaram literalmente sem ar como resultado de suas declarações absurdas.

Depois disto socos e pontapés: não mais por um prato de comida, por dinheiro, ou tomada de patrimônio alheio. Os polos não eram mais o norte e sul mas leste e oeste. Mataram índios, jornalistas, ambientalistas e outros que não nos chegam ao noticiário. A violência começa a tomar corpo: um jeito heterossexual machão.

Recentemente, no aniversário de um companheiro, um eufórico defensor da liderança eleita, mata pela frágil ideologia. Fala-se novamente da luta entre o bem e o mal. Ora se fala em deus, ora se fala em passeio de motocicletas, em octópode ladrão, em jornalistas e noticiários mentirosos.

Até o dia que o pirililim da maquinha que aponta quem vai morar no Palácio da Alvorada, a situação pode ficar muito complicada.

Haverá motivo para futuras violências e mortes? Nem aquele que morou na Rua Berggasse n. 19, em Viena dá conta de resolver.


Por Ronaldo Galvão


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