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10/06/2021 às 08:57h

Em Minas, uma em cada cinco pessoas não completa esquema vacinal

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Em foco durante a campanha de vacinação contra a Covid-19, o alcance da segunda dose de imunizantes é um desafio de longa data no Brasil, segundo alertam especialistas. Em Minas Gerais, a taxa de abandono de vacinas que necessitam de mais de uma aplicação, ou seja, o número de quem não completou o esquema vacinal, chegou a quase 20,5% em 2020, acima da média nacional de 18,5%. Ela já estava em um patamar considerado elevado pelo menos desde 2015, quando atingia 18,2%, segundo dados do Ministério da Saúde. Por trás do número, na perspectiva de pesquisadores que atuam com vacinação, está a falta de informações claras sobre a necessidade de se vacinar.

“Sempre tivemos uma excelente cobertura vacinal, mas, de 2015 para cá, observamos uma queda dela por vários fatores. Um deles é um fenômeno internacional chamado ‘hesitação em vacinar’. Fake news e movimento ‘antivacinismo’ fazem parte disso, mas não são os principais fatores. O que mais faz os brasileiros confiarem ou não na vacinação é a confiança nas autoridades e nos profissionais da saúde. Quando falamos em hesitação, pode ser tanto em não se vacinar quanto em atrasar a vacina ou perder a segunda dose”, pontua a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e membro do Grupo Consultivo da Vaccine Safety Net da Organização Mundial da Saúde (OMS) Isabella Ballalai. 

O cálculo da taxa de abandono leva em conta 11 imunizantes que necessitam de mais de uma aplicação, como as vacinas contra HPV e hepatite B. “Sem a segunda dose, não é possível garantir a proteção da pessoa. E o brasileiro tem essa característica de, na idade adulta, só procurar a vacina quando fica sabendo de um surto de alguma doença ou de algum caso entre vizinhos ou na família. Hoje não temos vacinas com cobertura de 90%, que é o mínimo para manter as doenças como sarampo e poliomelite eliminadas. Em 2020, tivemos 8.000 casos de sarampo”, continua a especialista. 

O professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo José Cássio de Moraes desenvolve uma pesquisa para entender os fatores que têm desengajado, especialmente, a vacinação de crianças no Brasil. “Um fator são as fake news, outro é a dificuldade do acesso da população aos próprios centros de saúde em alguns locais. Estamos tentando entender o peso de todos os aspectos para sugerir melhorias. Outro problema é que a comunicação do Ministério da Saúde sobre o Plano Nacional de Imunizações é praticamente nula”, detalha. 

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que "reforça, rotineiramente, aos municípios para que seja realizada a busca ativa de pessoas que necessitam tomar segunda dose de vacina. A SES esclarece que a ação é uma atividade inerente das equipes de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na Atenção Primária. A orientação é para que os Agentes Comunitários (ACS) façam a busca ativa dessas pessoas, já que possuem contato direto com o usuário e é uma ação importante em todas as campanhas de vacinação e, especialmente, neste momento". A nota ressalta ainda que "a aplicação da segunda dose de qualquer imunizante é importante para garantir a segurança sanitária de toda a população".

Pandemia pode agravar quadro de abandono

A taxa de abandono de vacinas tende a ser agravada pela pandemia, na perspectiva da vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Isabella Ballalai. Mas, antes da crise sanitária, a taxa já estava mais alta que o ideal: em 2019, ela chegou a 25,7% em Minas e a 21,6%, números ainda maiores do que os de 2020. 

Para o epidemiologista José Cássio de Moraes, novo sucesso das campanhas de imunização após a pandemia dependerá do êxito da vacinação contra a Covid-19. “Vamos ter que avaliar o impacto da vacinação sobre a pandemia, que já tem sido notado em outros países. Será preciso comunicar muito bem esse impacto à população, lembrando que nenhuma vacina é 100% eficaz. Está faltando muita comunicação”, diz. 

Por meio de nota, o Ministério da Saúde afirmou que, desde 2019, o projeto Movimento Vacina Brasil atua para mobilizar a população sobre a importância da vacinação. A pasta disse que realiza reuniões com os governos estaduais para monitorar estratégias locais de busca ativa da população para completar a carteira de vacinação, além de ações de multivacinação. O Ministério também detalhou que adota estratégias com os gestores locais do SUS como abertura de salas de vacinação durante todo o horário de funcionamento das unidades de saúde e combate a informações falsas.

Fonte: Jornal O Tempo


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