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05/05/2021 às 16:01h

Vírus do Nilo Ocidental é detectado pela 1ª vez em Minas

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Pela primeira vez, pesquisadores detectaram a presença do vírus Nilo Ocidental em Minas, doença transmitida a aves silvestres por meio da picada de mosquitos infectados. Acidentalmente, outros animais e seres humanos que estejam nessas áreas podem ser contaminados, chegando a desenvolver quadros graves, com risco de morte. A descoberta realizada com apoio da UFMG foi divulgada nesta segunda-feira (3) pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Até o momento no Estado, o vírus, que causa a Febre do Nilo Ocidental, foi constatada apenas em cavalos que adoeceram entre 2018 e 2020, sem registros de casos em humanos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas. Entre os casos sintomáticos, a febre do Nilo Ocidental geralmente se manifesta de forma leve, com febre, dor de cabeça, cansaço e vômito. As formas graves da enfermidade, como meningite e encefalite, atingem um em cada 150 doentes e os sintomas podem ir de febre alta e rigidez da nuca a convulsões, coma e paralisia.

Segundo o coordenador do estudo, o pesquisador do Laboratório de Flavivírus do IOC, Luiz Alcantara, as aves silvestres são consideradas “animais reservatórios” do vírus. Assim como as pessoas, os cavalos são infectados acidentalmente, ao serem picados por mosquitos infectados. “O cavalo é a principal epizootia e atua como sentinela para a doença. Esclarecer os casos suspeitos é importante para detectar a presença do vírus na região e prevenir a transmissão para os rebanhos equinos e as pessoas”, afirmou.

Também de forma inédita, os pesquisadores obtiveram ainda o sequenciamento do genoma completo dos microrganismos em três estados. “A partir de uma grande colaboração científica, pesquisadores detectaram o vírus do Nilo Ocidental pela primeira vez em Minas Gerais e confirmaram a circulação viral no Piauí e em São Paulo”, informou a Fiocruz.

Isolado, pela primeira vez, em Uganda, em 1937, o vírus permaneceu restrito a países da África, Europa e Ásia, durante décadas. Em 1999, porém, chegou aos Estados Unidos, causando um surto de grandes proporções e tornando-se amplamente estabelecido do Canadá à Venezuela. No Brasil, as primeiras evidências sobre a presença do vírus foram encontradas em 2009, em um estudo liderado também pelo Instituto Oswaldo Cruz, que analisou amostras de cavalos do Pantanal.

Os mosquitos do gênero Culex, popularmente conhecidos como pernilongos ou muriçocas, são os principais vetores da doença. Além de se infectar ao picar aves infectadas, os insetos transmitem o microrganismo para as próximas gerações de mosquitos. Os cavalos, assim como as pessoas, podem ser infectados, mas não transmitem o vírus.

Vigilância genômica

Desde 2009, pesquisas têm apontado sinais de infecção pelo vírus do Nilo Ocidental em cavalos de diferentes estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Espírito Santo, São Paulo e Ceará. No entanto, casos humanos da doença foram registrados apenas no Piauí, onde dez pessoas foram diagnosticadas de 2014 a 2020.

O novo estudo, que demonstra pela primeira vez a presença do vírus em Minas, reforça as evidências sobre a circulação viral no Piauí e em São Paulo. Além disso, avança na vigilância genômica. Até então, apenas um genoma completo do vírus do Nilo Ocidental tinha sido descrito no Brasil, a partir de um cavalo infectado no Espírito Santo em 2018.

De acordo com os cientistas, as informações sugerem diferentes introduções do microrganismo no Brasil a partir de países do continente americano. “Os dados reforçam a grande interconectividade dos países e indicam que a mobilidade humana pode desenvolver um papel importante na transmissão e introdução do patógeno. O Brasil apresenta condições climáticas ideais para a propagação dos mosquitos que transmitem o agravo, o que aumenta a necessidade da vigilância”, diz a pesquisadora visitante do Laboratório de Flavivírus do IOC, Marta Giovanetti.

Fonte: Hoje em Dia

Foto: Pixabay

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