Capa da Página Banco enaltece governança do América, mas ressalta realidade de quem opera na gangorra entre as Séries A e B - Esporte - JC Notícias Capa da Página

Icone previsão PARÁ DE MINAS - 15º MIN 28º MAX

Cadastre seu e-mail e receba nossas novidades

Icone IconeNotícias - Esporte

AMÉRICA MG

Banco enaltece governança do América, mas ressalta 'realidade de quem opera na gangorra entre as Séries A e B'

29/07/2020 às 08:00h

Facebook

América, Atlético, Cruzeiro e outros 21 clubes tiveram as contas analisadas por Cesar Grafietti, consultor de gestão e finanças do esporte do banco Itaú. Em estudo divulgado nesta terça-feira (28) pela instituição financeira, o economista enalteceu a governança e a transparência do Coelho, porém chamou a atenção para a realidade de quem ainda não conseguiu se firmar na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. A dívida total da agremiação gira em torno de R$ 84 milhões.

“O fato é que o clube vive a realidade de quem opera na gangorra entre as Série A e B. Normal. Precisa manter a governança e transparência e buscar se fortalecer para que a gangorra pare no alto. O América é um caso de clube que pode se sustentar na Série A aproveitando as dificuldades generalizadas de clubes de abrangência nacional. Mas o que tem feito ainda é pouco”.

A gangorra mencionada por Grafietti se refere às campanhas recentes do Coelho no Brasileiro. Em 2015, o time subiu da Série B para a A em quarto lugar, com 65 pontos. Em 2016, apesar da receita recorde de R$ 62 milhões, não obteve sucesso dentro de campo e caiu para a segunda divisão como lanterna, com apenas 28 pontos.

Em 2017, o América alcançou novo êxito na Série B, desta vez como campeão, com 73 pontos. No Brasileiro de 2018, ameaçou brigar por classificação à Copa Sul-Americana, mas caiu de produtividade no returno e amargou o rebaixamento ao perder para o Fluminense na última rodada, por 1 a 0, no Maracanã.

Na temporada 2019, a diretoria americana apostou em um projeto ousado para retornar à Série A. Conforme o estudo do Itaú BBA, o clube gastou R$ 43 milhões, ante uma receita inferior a R$ 31 milhões. Dentro de campo, a equipe deixou o acesso escapar na última rodada - derrota para o já rebaixado São Bento, por 2 a 1, no Independência - e terminou o campeonato em quinto, com 61 pontos.

“Um ano bastante difícil para o clube mineiro. O clube manteve gastos elevados com pessoal mesmo com a redução de receitas por conta de ter retornado à Série B. Foi uma aposta que por pouco não surtiu efeito, uma vez que o clube ficou próximo de retornar à Série A”, destacou Grafietti, que vê a necessidade de encontrar, em 2020, equilíbrio entre receitas e custos.

“O  clube precisa encontrar o equilíbrio entre receitas e custos e ganhar mais fôlego alongando ainda mais os passivos. O cenário de 2020 pode ter ajudado caso o clube tenha deixado para o montar o elenco para a Série B após os campeonatos estaduais, o que diminui os custos neste momento. Mas é uma hipótese apenas”.

Previsão para 2020

A tarefa do América não será fácil. Para 2020, de acordo com o estudo do Itaú, a previsão é de redução de 43,3% nas receitas, caindo de R$ 30,8 para R$ 17,7 milhões. Os custos e despesas também devem ser reduzidos, mas em índice menor, de 13% - de R$ 42,7 para R$ 35,4 milhões. Assim, o banco estima um saldo negativo de R$ 17,8 milhões nos cofres alviverdes.

Na opinião de Cesar Grafietti, um caminho a ser trilhado pelo Coelho é a negociação de direitos econômicos de jogadores acima do valor projetado no orçamento, além do corte ainda mais profundo em custos e despesas. A diretoria também terá o desafio de alongar vencimentos de dívidas.

Em 19 de fevereiro, quase um mês antes da paralisação do futebol devido à pandemia do novo coronavírus, o América havia estipulado receita operacional líquida de R$ 35,68 milhões em 2020 (R$ 37,1 milhões brutos) e custos e despesas na casa de R$ 35,3 milhões. A estimativa de superávit na temporada era de R$ 388 mil.

Dívidas

Um ponto positivo para o América, segundo Cesar Grafietti, é a composição de suas pendências financeiras. “Apesar de elevadas, possuem um perfil menos agressivo e mais alongado”, frisou o economista. Do passivo de R$ 84 milhões em 2019, R$ 40 milhões correspondiam a impostos, R$ 22 milhões em “dívida onerosa líquida” e outros R$ 22 milhões em “dívidas operacionais”.

Por outro lado, a análise verificou que o débito geral americano em 2013 era de R$ 42 milhões - a metade do valor atual. Houve crescimento nos dois anos seguintes - R$ 50 milhões, em 2014, e R$ 71 milhões, em 2015. Em 2016 e 2017, o clube conseguiu reduzir, para R$ 60,3 e 55,2 milhões. No entanto, as duas temporadas recentes ficaram marcadas por novas altas, atingindo R$ 67 milhões, em 2018, e R$ 84 milhões, em 2019.

Acesso é fundamental

Com receitas praticamente ínfimas de bilheteria e sócio-torcedor, o América tem no patrocínio e na cota de TV suas principais fontes de renda. Quando esteve na primeira divisão, o clube faturou R$ 49 milhões com direitos de transmissão em 2016 e R$ 36 milhões em 2018. Na Série B, embolsou “apenas” R$ 10 milhões em 2017 e 2019.

Assim, a missão do técnico Lisca é conduzir o Coelho ao grupo dos quatro mais bem colocados em 2020/2021 para, na temporada seguinte, traçar o planejamento de se manter na elite. Consequentemente, a presença na Série A aliada a um desempenho satisfatório valorizaria os jogadores e possibilitaria ganho maior com vendas de direitos econômicos.

Fonte: Super Esportes

Foto: Mourão Panda/América

Galeria de fotos

Clique nas imagens para ampliar: