09/03/2026 às 08:57h
Após uma verdadeira batalha campal no gramado do Mineirão, com jogadores trocando chutes e socos em um grotesco espetáculo, Minas Gerais se coloriu de azul e branco neste domingo (8/3). No Gigante da Pampulha, Cruzeiro e Atlético escreveram mais um capítulo de uma rivalidade centenária e as páginas que ficarão para a eternidade mostrarão que a glória, em 2026, é celeste.
No clássico, que decidiu o Campeonato Mineiro em jogo único com as duas torcidas nas arquibancadas (o público foi de quase 50 mil pessoas) e ficou marcado por uma pancadaria no fim da partida envolvendo titulares e reservas das duas equipes, a Raposa levou a melhor e venceu o arquirrival por 1 a 0, gol de Kaio Jorge, o artilheiro do torneio, no segundo tempo.O troféu também representa um certo alívio para o técnico Tite, cobrado por boa parte dos cruzeirenses pelo começo de temporada ruim. A taça deve dar mais tranquilidade para o gaúcho, que ainda tem o Brasileiro, a Copa do Brasil e a Copa Libertadores pela frente. Resta saber se China Azul terá paciência com Tite ou continuará olhando para ele com desconfiança.
Por sua vez, o Atlético terá de digerir a derrota para o arquirrival e o vice do Mineiro, que freia a sequência de seis troféus consecutivos e acaba com o sonho do hepta. Apesar de o trabalho do técnico Eduardo Domínguez estar apenas no começo – esta foi a segunda partida do argentino no comando do time –, o Atlético não tem muito tempo para lamentar.
Na quarta-feira (10/3), já pega o Internacional na Arena MRV precisando da vitória para deixar a zona de rebaixamento do Brasileirão. Domínguez, aliás, não pode demorar a conquistar bons resultados, caso contrário sofrerá a mesma pressão de Tite.
Péssimo primeiro tempo
O Cruzeiro começou o clássico tomando a iniciativa com maior posse de bola e a primeira finalização pela esquerda, mas logo o Atlético equilibrou as ações. Aos 15 minutos do primeiro tempo, o volante Cissé, que havia substituído Maycon, deixou o campo mancando após disputa de bola com Kaiki Bruno.
Eduardo Domínguez teve de buscar mais uma solução e colocou Igor Gomes no lugar do jovem guineense. O treinador argentino, aliás, fez apenas o seu segundo jogo à frente da equipe alvinegra. Tecnicamente ruim, a partida apresentava duas equipes errando passes demais – espantosos 74, para ser mais exato: 39 do Cruzeiro e 35 do Atlético.
O Cruzeiro fez faltas demais, e o Atlético chegou pouco ao ataque. Em um dos raros lances na área alvinegra, a Raposa chegou a pedir pênalti em Lucas Romero, mas nada houve. No fim da etapa inicial, marcada pela pouquíssima inspiração de ambos os lados, o ótimo chute de Lucas Silva assustou Everson, mas nada que mudasse a nota de um primeiro tempo abaixo da média.
Emoção e pancadaria na etapa final
A etapa final começou muito semelhante à primeira, com o Cruzeiro com maior posse de bola, rondando a área alvinegra pela esquerda com Kaiki, Gerson e Matheus Pereira, e o Atlético se defendendo. Nada, no entanto, que representasse perigo para Everson.
A história mudou aos 14’ minutos. Após ótima trama, Matheus Pereira tocou para Gerson, que chegou na linha de fundo e cruzou para a área. Lá estava o sempre decisivo Kaio Jorge para meter a cabeça na bola e fazer a festa da torcida cruzeirense. Foi o sétimo gol do atacante, artilheiro do campeonato.
Depois disso, o jogo ainda mais truncado. O gol não foi necessariamente sinônimo de melhoria técnica da partida. O Atlético tentou, um tanto desorganizado, mas não conseguiu furar o bolqueiro celeste. As duas equipes continuaram errando passes e fazendo muitas faltas.
No fim do jogo, aos 50 minutos, após lance entre Everson e Christian na área, uma briga generalizada tomou conta do gramado do Mineirão após. Ficou até difícil identificar quem se envolveu na pancadaria, mas jogadores como Hulk, Kaio Jorge, Villalba, Gerson, Lucas Romero, Lyanco e muitos outros trocaram socos e chutes. Os seguranças tentaram, em vão, apartar a confusão. Cenas que ficarão marcadas negativamente na história.
Após mais de 10 minutos de interrupção, o árbitro Matheus Delgado Candançan se viu obrigado a encerrar a partida. No fim das contas, a torcida do Cruzeiro cantou mais alto. A festa, dessa vez sem baixaria, foi de quem vestiu azul neste domingo.
Com informações O Tempo04/12/2025 - Dirigentes do Atlético são alvos de xingamentos na Arena MRV
01/12/2025 - Lusa vence Vilense nos pênaltis e Conquista o Sicoob Pará de Minas 2025
18/11/2025 - Sul-Americana: Atlético aguarda por retorno de dupla que dá mais solidez defensiva
17/11/2025 - Jogos de ida das semifinais movimentam o Campeonato Sicoob Pará de Minas 2025