29/06/2026 às 08:48h
A chegada do frio pode aumentar as ocorrências de infarto em até 30% e as ocorrências de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em até 20%. O alerta é do Instituto Nacional de Cardiologia e pessoas com comorbidades cardiovasculares são as mais suscetíveis. O frio não é a causa direta, mas pode potencializar esses problemas - uma vez que controlar a temperatura do corpo no inverno exige mais do coração.
“As ocorrências de infarto podem aumentar principalmente em temperaturas abaixo de 14°C. Pessoas de 75 a 84 anos e aquelas que já apresentam doenças relacionadas ao coração são as mais vulneráveis”, afirma o Instituto Nacional de Cardiologia.
Segundo Fernando Ribas, médico cardiologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, esses episódios se tornam mais frequentes no inverno porque ocorre a vasoconstrição - quando o corpo contrai os vasos sanguíneos para reter calor, sobrecarregando o coração.
"No frio, liberamos mais adrenalina no sangue, hormônios relacionados ao estresse, para aumentarmos a taxa de metabolismo e compensar a redução de temperatura. Se o paciente tem risco cardiovascular, o estresse que vem da adrenalina pode desencadear uma instabilização de uma placa de aterosclerose (acúmulo de gordura nas paredes das artérias), por exemplo, e provocar um infarto ou AVC", explica Ribas.
Jairo Lins Borges, cardiologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) explica que há também uma redução significativa nos níveis de vitamina D durante o outono e o inverno, e essa deficiência está associada a um risco cardiovascular mais elevado.
Outra questão é a tendência de aumento da quantidade de colesterol presente no sangue no inverno, motivada pela maior ingestão de calorias por conta do frio. Ao mesmo tempo, os níveis de atividade física costumam cair. Isso favorece o surgimento ou agravamento de fatores de risco para problemas cardiovasculares”, diz.
Por fim, há ainda a questão ambiental. “A concentração de poluentes, como o material particulado, costuma ser mais alta no inverno, e mesmo uma exposição pequena à fumaça passiva pode acelerar o acúmulo de placas de colesterol nas paredes das artérias, levando à obstrução e aumento de risco para infartos”, aponta Borges.
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