A cada cem pessoas em situação de rua no Brasil, quatro estão em Belo Horizonte. O dado escancara a vulnerabilidade social na cidade, que concentra 16.115 moradores ao relento. A metrópole tem a terceira maior população de rua entre as capitais brasileiras, atrás apenas de São Paulo (108.202) e Rio de Janeiro (24.403).
O levantamento, divulgado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), aponta que o Brasil atingiu, em maio deste ano, 388.855 pessoas em situação de rua. Desse total, 4% estão em BH. Em Minas, o número chega a 34.849 pessoas, colocando o Estado como o terceiro em número de habitantes vivendo nessas condições.
Nas calçadas, viadutos e praças da capital, os números ganham rosto, voz e histórias - muitas marcadas por perdas, dependência química, fome e vínculos familiares rompidos.Aos 48 anos, Rondinelli Gomes Nogueira vive há 17 anos nas ruas de BH. Natural de Contagem, na região metropolitana, passa os dias nos arredores da rua dos Tamoios, próximo ao Restaurante Popular, na região central. Dependente de crack há mais de duas décadas, diz que nunca trabalhou formalmente e convive com diabetes, hipertensão e HIV.
Quando a reportagem conversou com ele, Rondinelli afirmou estar há três noites sem dormir e que a rotina nas ruas é marcada também pelo uso de drogas e medo do frio.
Apesar das doenças e da longa permanência nas ruas, Rondinelli rejeita a ideia de tratamento ou acolhimento institucional. O homem diz que perdeu praticamente toda a família e que não acredita mais em mudança de vida.
“Não tenho pai, não tenho mãe, não tenho irmão, não tenho ninguém nesse mundo. Tudo já morreu”, relatou, emocionado.
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